Os hackers já são capazes de assumir o controle de um carro. E como os veículos estão se transformando em shopping-centers sobre rodas, os criminosos terão a oportunidade de roubar também a sua identidade.
Ansiosas por uma fatia das compras de lanches, gasolina e outros itens feitas pelos motoristas, as fabricantes têm grandes planos para trazer o comércio eletrônico para o painel dos automóveis. A Ford Motor Co. já possui um aplicativo que permite que os motoristas deem uma ordem à Domino's Pizza usando controles de voz e um smartphone. Neste ano, a General Motors Co. começou a oferecer o AtYourService, que envia alertas aos motoristas com ofertas da Dunkin' Donuts ou permite que eles reservem um quarto de hotel no Priceline.com usando comandos de voz. Até 2020, cerca de 40 por cento dos veículos novos vendidos em todo o mundo permitirão que os motoristas realizem compras detrás do volante, prevê Thilo Koslowski, vice-presidente de prática automotiva da Gartner.
Os carros conectados são um alvo fácil, semelhantes às empresas varejistas e aos bancos, que os hackers podem vasculhar em busca de números de cartões de crédito, endereços residenciais, informações de e-mail e todos os outros detalhes pessoais exigidos para roubos de identidade.
"Atualmente a motivação para hackear um carro é fazer o mal, com o objetivo de provocar danos às pessoas ou às empresas automotivas", disse Koslowski. Quando os motoristas puderem comprar impunemente enquanto trafegam em uma rodovia, "o carro definitivamente será visto como um dispositivo vulnerável".
Botões de compra
A maioria dos carros vendidos hoje não possuem a tecnologia para que os motoristas paguem pelos itens que adquirem (a menos que eles usem um smartphone). Mas até 2022, 82,5 milhões de automóveis em todo o mundo serão conectados à internet, mais do que o triplo do número atual, segundo a empresa de pesquisas IHS Automotive. Nos próximos dois a cinco anos, os "botões de compra" conectados a carteiras móveis de smartphones começarão a aparecer nos painéis dos carros, segundo Richard Crone, que administra a assessoria de pagamentos Crone Consulting LLC. Isso significa que em breve os motoristas poderão comprar uma pizza, encher o tanque ou pré-encomendar um skinny macchiato meio descafeinado do Starbucks sem usar o telefone.
Os bancos e as empresas de cartões de crédito estão procurando entrar no jogo.
A Visa desenvolveu um aplicativo para painel ou para smartphone que permite que o carro automaticamente pague a gasolina, o estacionamento e o lanche. O uso comercial da tecnologia será anunciado nos próximos três a seis meses. A FIS, uma empresa de tecnologia de pagamento, está criando um aplicativo bancário para carros que permitirá que os motoristas paguem contas ou verifiquem o saldo de suas contas.
Alvos fáceis
Mas nos últimos meses as fabricantes de automóveis provaram ser alvos fáceis para os hackers. Dois especialistas em segurança hackearam o sistema de infoentretenimento do Jeep Cherokee em julho para assumir o controle do motor e da transmissão do veículo em um momento em que um caminhão de 18 rodas avançava em direção ao carro. O sistema OnStar, da GM, um botão azul localizado no espelho retrovisor que conecta os motoristas a um atendente, também foi hackeado quando um pesquisador de segurança automotiva utilizou um pequeno aparelho escondido em um Chevrolet Volt 2013 para assumir o controle do aplicativo RemoteLink, da GM, o que permitiu que ele desbloqueasse o carro e desse partida no motor.
Os hackers inclinados ao roubo de identidade deverão se infiltrar nos carros por meio do sistema de entretenimento, como fizeram os hackers do Jeep, ou de aplicativos maliciosos de mercado, que parecem inofensivos ou até mesmo úteis, mas que na verdade roubam informações pessoais. Abrir o painel para aplicativos de terceiros é o mesmo que dar uma carona para o ladrão, disse Ryan Smith, cientista-chefe da Optiv, uma empresa de segurança cibernética que presta consultoria às fabricantes de automóveis.
"Quando os sistemas de pagamentos começarem a funcionar nos carros, eles serão um alvo que os hackers começarão a estudar e a cutucar", disse Smith, que trabalhou com Charlie Miller e Chris Valasek, os homens por trás do hackeamento do Jeep. "Você verá todo o espectro de fraudes dentro desses veículos".
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